quarta-feira, 19 de maio de 2010

Será que Esquecemos de Como Nos Concentrar?

Um típico adolescente de hoje ao computador: Enquanto digita um trabalho da escola, conversa com 3 ou 4 amigos simultaneamente em um programa de mensagens instantâneas (como MSN ou Google Talk), olha regularmente o Orkut, acompanha as mensagens do Twitter e digita as suas a cada meia hora, além de verificar o email e responder a certas mensagens quase que imediatamente. Sobre a mesa, ao lado do monitor, o celular pulsa inquieto e a qualquer momento é acionado para conversas ou troca de mensagens de texto. Frequentemente encontramos uma televisão ligada por perto, ou ainda algum tipo de música, com ou sem fone de ouvido.


E o comportamento dos adultos também tende a assemelhar-se cada vez mais a este. A típica rotina de trabalho em escritórios dos mais diversos ramos de atividade envolve uma constante disputa pela atenção de cada funcionário. Clientes, fornecedores, chefes, subordinados e colegas de trabalho esperam respostas imediatas a suas solicitações. E-mails não respondidos poucos minutos depois de enviados geram ansiedade e reclamações.


Depois dos computadores "multi-tarefa", estamos assistindo à criação  do "ser humano multi-tarefa". É este o futuro? As empresas buscarão mais e mais profissionais com a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo?



Duvido. A capacidade de concentração sempre foi e continua sendo essencial para um desempenho de excelência em qualquer atividade. Por isso estou convicto de que o futuro é exatamente o contrário: Cada vez mais o profissional capaz de concentrar-se e executar com qualidade tarefas-chave será valorizado, especialmente quando a escassez de pessoas com tal perfil tornar-se mais evidente.


Este tema começa a gerar interesse tanto na comunidade acadêmica como na corporativa, como mostra um recente artigo do jornal inglês "The Times", no qual me inspirei para o título do presente texto: Have we forgotten how to concentrate?


O artigo menciona algumas doenças modernas relacionadas ao excesso de informação e falta de foco, tais como "ansiedade por informação" (preocupação por emails aguardados, por exemplo) ou a famosa "síndrome do déficit de atenção". Ademais, expõe bons argumentos para a baixa produtividade causada pelo comportamento "multi-tarefa", e também alerta sobre a possibilidade de danos cerebrais permanentes causados pela falta de concentração.


Trabalhando como professor há cerca de vinte anos, tenho observado com preocupação os efeitos dessa mudança de comportamento sobre os alunos. Não só lhes é cada vez mais difícil manterem-se concentrados durante as aulas, mas também o seu estudo individual carece do aprofundamento que só se pode obter após longos períodos de reflexão sobre o mesmo tema.


Nós, professores, devemos assumir a responsabilidade de tornar nossas aulas mais interessantes e estimulantes para vencermos a competição contra o enorme bombardeio de informações recebido pelos jovens de hoje. Utilizar as "armas do inimigo" é uma velha estratégia perfeitamente válida: vídeos, músicas, apresentações de slides, programas de computador, internet etc. podem e devem ser usados em sala de aula quando fornecerem estímulos favoráveis à melhor compreensão do tema ensinado.


Todo professor que já tentou seguir este caminho, no entanto, já aprendeu que "o tiro pode sair pela culatra". Se não for feita com planejamento correto, metas claras e cuidadosa disciplina, uma aula com recursos multi-mídia pode facilmente se tornar um estímulo a alunos dispersos.


Porque o aprendizado ocorre de dentro pra fora, não de fora pra dentro. Nenhum aluno aprende com o que o professor faz, somente com o que ele próprio faz. Mesmo uma aula bem planejada e bem executada, com utilização de recursos modernos para estimular e motivar o interesse pelo conhecimento a se transmitir, será logo esquecida a menos que o aluno transforme o estímulo em ação


No final das contas, a responsabilidade pelo aprendizado é do discípulo, não do mestre.


Aprender exige concentração. Se você quer aprender, deve assumir a responsabilidade por desenvolver sua capacidade de concentrar-se.  Sim, porque com tantas distrações e estímulos ao seu redor, concentrar-se exige uma decisão consciente e boa dose de disciplina. Você tem que aprender a dizer não. 


Para isso, primeiramente você precisa saber o que quer, traçar uma meta. E a meta tem que ser grande, importante, estimulante. A meta tem que empolgar você. Empolgue-se com sua meta, e você saberá dizer não a tudo o que o afasta do caminho para realizá-la. Porque dizer não às atividades irrelevantes é a única maneira de dizer SIM à sua meta. Quando o seu SIM é forte o suficiente, fica fácil dizer não.


A partir de agora, desenvolva o hábito de se perguntar: "por que estou fazendo isso?" durante cada uma de suas atividades diárias. Se a resposta não for algo que o aproxime de uma meta importante, pare imediatamente e dedique-se a algo mais relevante. E quando tiver certeza de estar fazendo algo relevante, diga não a todas as possíveis distrações. Desligue o celular, feche as janelas de email, twitter, orkut etc., coloque um cartaz de "não interrompa" na porta...


Decida concentrar-se. Concentre-se. E colha os frutos.


P.S. Se você concorda, discorda, tem algo a perguntar ou acrescentar, escreva um comentário e contribua com o conteúdo do Blog. Isto pode ser feito de forma anônima, mas se mesmo assim a timidez o impedir, fique à vontade para entrar em contato pelo email: aprenderblog@gmail.com. Obrigado!

12 comentários:

  1. Luciano, eu sei muito bem como é lidar com uma equipe de profissionais jovens, que cresceram já com internet e tantas ferramentas de que dispomos hoje.

    Mas só ficam lá na empresa esses que serão (ou já são) peça rara. Os que conseguem se concentrar. Vejo em cada um deles propósitos na vida, uns mais audaciosos, outros menos, mas todos querem chegar a um lugar que pré-determinaram algum dia.

    Creio que a nossa sociedade vai saber, com o tempo, usar essas ferramentas todas de uma forma mais construtiva. Acredito na evolução, não somente da informática, mas dos seres humanos.

    É. Pensando bem, talvez, com mais equilíbrio, a próxima geração aprenda com os erros dos meninos e meninas de hoje. E, se assim for, essas peças podem não ser tão raras assim no futuro. Vamos torcer que sim.

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  2. Rosane Reis21/05/2010 18:16

    Luciano, o conteúdo do teu blog pode acrescentar muitas informações úteis a estudantes concurseiros. Vou, com a tua permissão, criar um link no meu blog, para que meus seguidores se tornem teus também. Louvável que, num mundo de correrias e exiguidade de tempo, ainda haja mestres preocupados com a inteligência emocional dos alunos e discípulos. Agrego-me a ti nesta empreitada! Parabéns pela iniciativa. Que ela se torne um exemplo para os que nada fazem, a não ser reclamar da qualidade dos nossos alunos!
    Rosane Reis

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  3. Se concentrar ja foi muito dificil para mim.

    Nas aulas, que duram tanto tempo, é dificil estar concentrado a tudo que o mestre diz ( na verdade, é quase impossível), mas a determinação que o aluno possui o permitirá a ter o máximo de aproveitamento das aulas. São os detalhes das aulas que tornam o aproveitamento do aluno ao máximo(comentarios,duvidas dos outros,etc). Como seu aluno, percebo nas aulas que são poucos os que realmente ficam atentos a isso.

    Para quem tem muita dificuldade de concentração,se não incomodar-lhe, Luciano, fica a dica do PG : tente ficar olhando para a borracha sem pensar em nada. E acredite, da certo! Testemunho próprio rsrs.

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  4. É verdade tudo isso que foi dito, e eu como aluna (estou cursando o pre vestibular) tenho criado esse foco pra mim e torno isso empolgante para que eu consiga me concentrar cada vez mais. Penso que logo que entrar pra faculdade, vou conseguir "relaxar" (ter mais tempo pra fazer outras coisas a não ser estudar) e fazer outras atividades que eu tenho muita vontade de fazer. Isso me ajuda porque ao chegar em casa ainda tenho animação pra rever algumas coisas vistas no dia.
    Porém fico um pouco ansiosa porque, como voce falou nós somos bombardeados por informações, que TEMOS que saber para não ficarmos alienados do mundo. Temos (no meu caso) saber bem biologia, física, quimica(exemplo), dominar de tudo um pouco... eu acabo querendo fazer um monte de coisa ao mesmo tempo e enquanto estou fazendo uma coisa lembro de outra, e vou fazer pra nao esquecer ... enfim, nessa, acabo vendo varias coisas (matérias) ao mesmo tempo e acho que isso acaba atrapalhando na minha aprendizagem. vc acha que essa ansiedade por informação pode atrapalhar o aprendizado?

    Obrigada desde já pelas dicas e lições desse blog!!

    p.s: sou aluna da Rosane , estudo no elite MAD (biomédicas).

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  5. Li e reli o que está escrito a cima. É uma série de dicas e lições bem interessantes. Não é mole dexiar tudo (msn, orkut, e-mail, música) e se concentrar em um único objetivo, mas daqui pra frente vou tentar ao máximo o que aqui foi proposto e vou relatar assim que conseguir. Abradeço ao esforço do Mestre quando dedica o seu tempo a nos agraciar com esses textos.

    Marco Luiz.

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  6. Passo pelo mesmo problema que a Karine ''
    dominar de tudo um pouco... eu acabo querendo fazer um monte de coisa ao mesmo tempo e enquanto estou fazendo uma coisa lembro de outra, e vou fazer pra nao esquecer ... enfim, nessa, acabo vendo varias coisas (matérias) ao mesmo tempo e acho que isso acaba atrapalhando na minha aprendizagem''

    O tempo parece ser curto demais pra quantidade de coisas a fazer , mesmo com um plano de estudo montado de acordo com as minhas necessidades parece que não vai dar tempo de fazer nada rs'

    PS: Também sou aluna da Rosane da turma de Biomédicas (MAD), adorei este blog está me ajudando muito! Obrigada pelas dicas !

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  7. Samuel Elite Mad.
    Fazia algum tempo que não vinha aqui. E sempre acabo me identificando com muitas coisas. Obrigado prof. por continuar com o sua empreitada.
    Não que estivesse comemorando, mas fiquei feliz em saber que não é só quem faz ime-ita que passar pelas dificuldades de tempo apertado, matéria acumulando e medo de não conseguir.É bom saber que não se está sozinho ao tentar prestar atenção em uma aula quando pelo menos mil coisas querem tirar sua atenção.
    Duas experiências que claramente vieram à minha mente enquanto lia o post e os comentários foram:
    1-Fazendo o segundo ano de curso, percebo que estou entendendo mais as matérias, consigo ter mais tranquilidade para ouvir o que o prof. tem a dizer e depois copiar e a absorção está muito maior.Achei que estava ficando bom,mas depois percebi que não é isso.É que ano passado eu sentava mais ou menos no meio da sala, então se visse alguém se mechendo,ou alguém se levantando para sair ou algo sim logo perdia o foco. Sentando na frente, praticamente não disperso com isso. Mas como fazer para quem não gosta de sentar na frente?
    2-É que esse medo de acumular a matéria me pertubava muito ano passado,tanto que eu praticamente a cada mês fazia um horário novo para mim. O que isso causou?Não estudava nada com a qualidade devida. Esse ano fiz um horário e pedi orientação a algunss profs e eles me ajudaram, desde o inicio das aulas até hoje sigo esse horário.Então eu não acumulo mais matéria?Claro que acumulo. Mas consigo ficar mais tranquilo e fazer um estudo equilibrado.

    Escrevi de mais, mas talvez alguém precisasse ler isso.

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  8. Natália Lisboa

    Bom dia...
    Infelizmente só conheci seu blog hoje (a correria do vestibular absorve o tempo e acaba-se não relevando coisas essencias, como o preparo psicológico).Gostaria de agradecê-lo pela preocupação com os alunos, pois poucos são os que dão importância a nós e às lutas para que tenhamos aprendizagem.

    Enfrento problemas parecidos com os relatados pela Karine.No meu caso, no começo do ano estava conseguindo cumprir adequedamente com meus objetivos, porém tenho percebido um déficit no meu aprendizado (por mais que tenha um plano de estudo e metas programadas).São tantas matérias, tantos detalhes,tantas informações e, além disso, o cansaço psicológico e a ansiedade(meu principal problema)constroem obstáculos difícies de ultrapassar.

    O tempo cada vez mais curto e o conteúdo necessário para resultado extenso demais,dá a impressão que não dará para aprender tudo(e isto é amendrontador)...

    P.S.: Também sou aluna da profª Rosane!
    Embora seja um atrevimento, gostaria muito de poder assistir uma palestra do profº aos alunos da turma Biomédicas - Mad.(é claro, se possível)

    Novamente, muito obrigada!

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  9. Karine NOVAMENTE
    Nossa! voltei ao blog do professor só agora (por falta de tempo mesmo) e vi os cometários seguidos do meu...
    por um lado é "bom" (entre aspas mesmo) saber que esses problemas não são só meus, todos passam e eu acho que realmente precisamos passar por isso. Gostei de ver o que o Samuel escreveu, me deu mais ânimo. Por que o importante é manter a tranquilidade e o equilíbrio com relação aos nossos estudos...
    A nossa ansiedade acaba "atrapalhando" um pouco a nossa concetração de querer buscar sempre mais informações.

    Aproveitando pra comentar sobre um outro tópico do blog: UMA HORA DE CONCETRAÇÃO, todos os dias.
    Acho que seria com certeza muito útil pra todos nós! Ainda não fiz, mas quero (e VOU) começar logo a tentar fazer esse desafio!

    beijos à todos lá do elite! =]

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  10. eu nao consigo me consentrar toda vez que eu tento vem algo na minha mente e eu destraio, o que eu devo fazer, me ajudem por favor!

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  11. Eu nao consigo entender bem a explicacao do professor na sala de aula e tenho ploblemas de esquecimento e nao consigo tirar boas notas nos testes e sinto mente fraca

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  12. Eu tenho ploblema esqueço muito rápido o q mim falam

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